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Revolução tecnológica Yamaha YZ 450 Visitas: 744

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Revolução tecnológica A Yamaha YZ 450 é a atual campeã mundial de MotoCross e também do supercross americano na categoria mais forte, a MX1, as duas mais importantes competições do planeta. E não é por menos!

Além das mãos e do talento de Antonio Cairolli e James Stewart, excelentes pilotos, a moto é a nova sensação mundial. São poucos os modelos que apagam todo um projeto antigo para a criação de outro totalmente novo.

E para isso, foram implantadas tecnologias totalmente inovadoras. A simples vista a novidade salta aos olhos, no visual já vemos uma moto bem diferente do modelo anterior, seu motor está "invertido" (seu cilindro é inclinado para traz) em uma configuração que permitiu transferir as massas mais ao centro e abaixo mudando totalmente suas reações na pilotagem, favorecendo os saltos e as correções de trajetória em pleno voo.

Seu quadro também tem nova geometria e formas, sem falar em inúmeras peças que mudaram de posição. Abaixo do banco, onde normalmente estaria a caixa do filtro de ar, agora aparece um espaço vazio, da pra ver do outro lado da moto. Estes são alguns aspectos em que o visual da nova YZ450 inova.

Ela pode até não ser a melhor por enquanto, mas com certeza entre os modelos 2010 é a protagonista e conforme seus resultados nas competições será lembrada e ainda criar uma nova tendência no mercado Off Road. Fui o primeiro no Brasil a pilotar a YZ450F 2010 (única trazida pela Yamaha ao Brasil).

A imprensa especializada internacional também já testou e ainda comparou a moto dos diapasões com todas as concorrentes da categoria. Foi senso comum que a YZ disputa palmo a palmo o titulo de melhor moto do ano com a Kawasaki, deixando a Honda e a Suzuki para trás. Vale a pena lembrar que quando um modelo muda totalmente seu projeto, partindo de novas concepções, demora algum tempo para chegar ao ponto e afinar totalmente as novidades, tirando tudo o que se pode dos conceitos inovadores.

A YZ já nasceu fenomenal, e deve ser melhorada ainda nos próximos anos. Alguns pilotos também chamaram atenção pela facilidade com que a moto imbica nos saltos, nova característica trazida pela mudança completa de geometria, não concordo, para mim foi relativamente fácil de controlar, inclusive no ar, talvez pelo meu tamanho.

Injeção eletrônica Logo de cara, o modelo entrou na era da injeção eletrônica, um equipamento que há muito pouco começou a ser utilizado no MotoCross, além disso, o novo sistema não requer bateria, item suprimido que ajudou a reduzir bastante o peso, além de liberar espaço para remanejamentos na configuração da moto.

Mesmo sem a capacidade de armazenagem de energia, a moto mantém o sistema de alimentação pressurizado, alimentando de combustível o motor para a primeira partida, logo após o funcionamento todo sistema entra em ação sistematicamente. Motor Invertido Deixando de lado outras mudanças significativas, a grande revolução tecnológica para o mundo das motocicletas está no motor.

O ângulo do cilindro é bem aberto, portanto voltado para trás, deixando espaço para instalação do sistema de escape bem no centro da moto por baixo do banco até a ponteira, do outro lado, onde "deveria" ser seu lugar ficou o sistema de injeção eletrônica, sua alimentação passa a receber ar frio vindo direto da nova caixa de ar (transferida para a parte interna do tanque de combustível praticamente uma extensão dos radiadores) favorecendo as respostas do motor ao estímulo do acelerador melhorando a performance.

Dentro do propulsor também houveram muitas mudanças, por exemplo, suas válvulas foram igualmente invertidas para melhor aproveitamento do novo sistema. Inclinação do motor (para trás) Outra "loucura" do projeto é ver o cilindro inclinado para trás e não para frente.

Com isso, a fábrica conseguiu reduzir o atrito, normalmente maior, em uma das paredes do cilindro quando este aponta para frente. No novo projeto isso não acontece, o virabrequim ficou mais alinhado com o cilindro, sem forçar o conjunto durante os ciclos do pistão, favorecendo a redesenhada câmara de combustão na exaustão dos gases queimados.

O motor faz menos força, ou seja, desperdiça menos energia, oferecendo, na prática, uma retomada muito mais forte. Centralização de massas A nova tendência nos projetos é a centralização de massas.

Quanto mais o peso ficar no meio da moto e principalmente o máximo para baixo, tanto mais ágil e estável na pilotagem. A nova YZ450 levou o conceito a sério desde o início, seu tanque de combustível está abaixo do assento do piloto ajudando ainda mais na centralização O quadro também foi redesenhado para armazenar toda a mecânica pesada o mais centralizado possível.

Pilotando Não é mole acelerar uma 450cc! é algo como as MotoGP em versão off-road, mas o pior é que exige muito mais preparo físico do que qualquer outra modalidade. Tirei praticamente duas semanas antes do teste para me preparar fisicamente, treinos com moto e na academia. Sem isso, seria quase impossível sentir a nova YZ a ponto de fazer uma avaliação detalhada.

Eu parecia uma criança que iria ganhar o novo brinquedo, minha felicidade começou quando fui buscar a moto recém ativada na Yamaha. Outra inovação é o pequeno computador para acerto das respostas do motor (remapeamento), mas isso só aqui no Brasil. A primeira surpresa foi saber que toda YZ450F vendida no Brasil vem com um computador próprio.

Um computador de bolso que é capaz de alterar completamente a moto em minutos, isso conforme a pista e principalmente o piloto. Mesmo sem ter potência declarada pelos fabricantes, as 450 hoje beiram os 70 cv, isso para "carregar", algo próximo dos 100kg.

Que acham? Logo que entrei na pista, tive o mesmo problema de sempre, uma motocicleta extremamente estúpida, muito difícil de controlar principalmente nas curvas, onde a entrada de potência era muito brusca, fazendo com que a frente levantasse ou, mais comum, a traseira escorregar muito! Depois das primeiras voltas parei exausto, com os braços moles.

O mecânico e preparador Marcos Negretti que acompanhou o teste me ajudou a mudar completamente a forma de entrada de potência do motor (com o dispositivo fornecido pela fábrica) principalmente em baixos e médios giros.

O pequeno computador oferece a opção de acertar a injeção eletrônica (alimentação do motor) e do tempo de ignição. Sendo assim, finalmente conseguimos deixar a 450 menos furiosa e pude domá-la, mais a vontade tirando melhor proveito de seu motor.

Uma prova da eficácia do aparelho para chegar a receita quase ideal para meu estilo de pilotagem e às condições da pista, com mais tempo testando provavelmente continuaria a buscar o ajuste fino. Em aproximados 5 minutos, Marcos Negretti salvava um mapa diferente, com uma subida de potência da forma mais suave possível, ou seja, eu queria a moto mais fraca para poder curtir e sentir sua ciclística.

Vale à pena ressaltar que esse acessório da Yamaha é capaz de gravar 9 mapas diferentes, caso o piloto treine em diversas pistas, ele poderá acertar a moto para cada uma delas. Sendo assim, quando for treinar é só selecionar o mapa de cada pista.

Saí novamente com a moto, impressionante, era outra moto, sem deixar de ser muito potente, era dócil e me permitia fazer as curvas com muito mais força e principalmente desenhando o traçado. Além do excelente motor, outro ponto forte da YZ é a agilidade nas curvas. A centralização de massas é notória, a moto se comporta como uma 250F, muito estável e oferece um limite de inclinação fantástico, ou seja, é muito mais fácil de abusar nas curvas com a nova 450F. As suspensões na regulagem original estavam muito duras.

A frente, principalmente, "martelava" bastante quando aterrissava nos saltos. Deixei totalmente mole e baixei a calibragem recomendada de 15 libras nas duas rodas, para 13 libras.

Com isso, a moto melhorou 80%, porém achei ainda um pouco dura, pois já tinha aliviado toda válvula de compressão. O fato do motor estar invertido não é um bicho de sete cabeças.

Porém, todos os pilotos presentes na pista do Alemão em Atibaia ficaram deslumbrados. Era a primeira moto de cross diferente de todas. Alguns perguntavam se a moto era portuguesa, pois tinham montado o motor ao contrário. Na prática, a centralização de massas e principalmente o motor que se altera da maneira mais fácil possível, são os pontos altos da motocicleta. Relatos da imprensa mundial, onde alguns diziam que o fato do motor estar invertido fazia com que a moto imbicasse nos saltos, para mim não é verdade.

é excelente de estabilidade em geral, principalmente nos saltos, sendo muito leve para consertar qualquer inclinação não desejada. A única diferença que sentimos é o barulho do motor através do filtro de ar que agora fica na frente da moto. Quando abrimos o acelerador ouvimos de imediato o ar sendo puxado. Para resumir em poucas palavras o que senti sobre a YZ, foi uma enorme tristeza ter que devolver o brinquedo para a Yamaha. Há anos não ficava tão triste por devolver uma motocicleta ao fabricante.

O teste foi na sexta feira antes do carnaval, onde passei o dia todo andando com a moto... no final sabe o que aconteceu? Voltei à pista por três dias seguidos, troquei os pulos do carnaval pelos saltos fantásticos da YZ no seu habitat, a pista de terra. Com certeza é uma moto que ficará registrada na historia do MotoCross e Off Road em geral, uma mudança que daqui 20 anos dirão: "lembra daquela YZ450 2010, aquela com motor invertido??".



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