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CBR 1000 Campeã do Superbike Visitas: 2308

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Texto: Leandro Mello

Pude andar a vontade no lançamento da CBR1000RR feito pela Honda na bela pista de Capuava, Indaiatuba/SP. Nesse dia, se encontrava o atual hepta-Campeão Brasileiro de Moto velocidade com a nova versão já desenvolvida para pista, onde acabará de conquistar a ultima corrida. Pude andar lado a lado com Gilson Scudeler e sentir uma vontade imensa de saber o quanto seria diferente as duas motos.

Lógico que sobrou para mim esse fardo, meses depois tive que passar o dia todo treinando com a motocicleta, que mesmo antes da ultima etapa já se consagrava campeã do brasileiro de moto velocidade 2008.

A estrutura da equipe Petrobras é de primeira, antes mesmo de andar na motocicleta fiquei acompanhando todo desenvolvimento e entrosamento de toda equipe junto aos pilotos. Gilson já de macacão me aguardava apenas para mostrar minha moto do dia, praticamente 0km, é na verdade a sua segunda moto, exatamente como a principal, levando a mesma receita! Ainda brinquei com a equipe dizendo que estariam me dando a Ferrari do Rubinho e não do Schummacher, eles riram e disseram que se o Gilson descesse de sua moto e pilotasse a outra, não saberia a diferença, a moto é tão competitiva para cravar os mesmos milésimos, e tem a mesma receita de cabo a rabo da principal.

Scud como é chamado por todos, gravava com um Laptop as leituras de sua moto. O equipamento tem as informações das principais pistas do mundo, através do traçado e diversos sensores nas motos ele pode informar a velocidade, RPM, todo trabalho das suspensões em cada parte da pista, fazer um checkup completo desde a entrada, meio e saída de uma curva. Com isso, toda equipe avaliam o trabalho mecânico e principalmente da pilotagem do piloto da forma mais precisa possível, podendo alterar a estratégia de acerto, e “tocada” com muito mais precisão. Todas essas informações inclusive do traçado foi passado para a minha moto, Gilson montou até uma estimativa do tempo das voltas que daríamos. É como se fosse uma telemetria, porém a telemetria já é enviada via satélite simultaneamente para os Box, como o regulamento brasileiro e mundial de Superbike não permitem isso, esse equipamento faz as mesmas leituras mas tem que ser baixado da moto dentro dos Boxes.

Subi na moto para o primeiro reconhecimento de pista e da motocicleta, depois de poucas voltas para me aquecer paramos para acertar alguns detalhes como altura dos manetes, pedaleira, distancia e altura do pedal de câmbio, como um leve acerto de suspensão conforme foi passado pelo Gilson. Na seqüência um dos preparadores veio me informar, o asfalto já estava com 45 graus, tinha subido 4 graus do primeiro treino para cá. Eu meio sem comparação fiz que entendi, e agradeci pela informação, depois que todo mundo saiu de perto eu lhe perguntei baixinho, o que eu sentiria de diferença com esse aumento de temperatura. Ele me disse que passando bastante dos 40, o pneu iria esquentar muito e teria perda de aderência. Só para terem uma noção, estava andando com 30 libras no pneu dianteiro e 28 no traseiro, muito mais baixo que uma calibragem normal, isso porque o atrito é tão grande nas fortes frenagens e curvas, que o pneu esquenta absurdamente, chegando na casa dos 40 Graus Celsius rapidamente, onde oferece o melhor de seu grip.
Tudo pronto e agora é à hora de realmente fazer um treino com a motocicleta. O único problema que era uma quarta feira antes da corrida do sábado seguinte, e as únicas recomendações que me deram era “pelo amor de deus só não caia com essa moto”, hahaha eu adoro ouvir isso, da ultima vez que falaram isso, cai com um único modelo no Brasil a 300km/h.

Ou seja, tive que ir mais na “pegada” de jornalista do que de piloto, a responsabilidade era muito grande, mas foi ai que me surpreendi. Esperava uma motocicleta extremamente Racing, difícil de pilotar e muito agressiva, alias essa é uma idéia de todos em relação à moto de Gilson Scudeler, tantos campeonatos se deve também pela superioridade de sua moto e não apenas pelo seu talento.

Na verdade me surpreendi bastante porque a moto é extremamente confortável, muito suave e progressiva. Mas o principal que se fechassem meus olhos e me colocasse em cima da moto sem saber, não teria duvidas nenhuma que estaria em uma nova CBR 1000RR. Ela não perdeu nenhum pouco da sua identidade, todo seu comportamento é exatamente igual ao do modelo original, mostrando o tanto de sua esportividade original. O que acontece é que ela te oferece mais ou menos uns 15% a mais de performance em todos aspectos, como frenagem, estabilidade, aderência e potência. Ela tem o mesmo comportamento modular de freios com os novos discos, mangueiras e fluido Racing, porém quando o equipamento original chegaria ao limite, nesse modelo te daria um “plus” a mais capaz de ir um pouco mais além, porém com os mesmos comportamentos e características.

Até o comportamento da motocicleta nas curvas de baixa, média, alta e nas frenagens é bem semelhante ao da original, mesmo que sejam equipadas com suspensões de grif como Ohlins. Ocorre à mesma coisa, quando chegaria no limite de estabilidade, limitando ali seu desempenho, na moto do Gilson podemos esperar uns 15% a mais, aumentando muito sua performance em geral.

Eu nunca andei tão tranqüilo em uma pista, cauteloso e suave, sem tomar sustos. Poderia acelerar mais uns 50 metros antes de cada frenagem de reta, como também fazer uma entrada de curva mais agressiva. Porém essa não era a minha idéia, não estava ali para fazer classificação, só que me surpreendi quando vi o cronometro mostrando 1.47 minutos de volta, e não tive uma volta limpa, sem pegar trafego, que teria baixado ainda mais o tempo.
As vezes muitas pessoas se pegam em equipar ao máximo uma motocicleta, só que esquecem que ela já dispõe de inúmeras regulagens, o que vi de perfeição nessa moto em relação a outras de pista que já pilotei foi o acerto, ela não é nem de perto a moto mais forte que já andei, mas chegou a um ápice de equilíbrio sendo a motocicleta mais suave e progressiva que já andei, é lógico que em um nível de pilotagem muito acima do original.
É o melhor de tudo é que pude comprovar que Gilson Scudeler é realmente um talento nato, seu equipamento é muito bom, mas para a felicidade do esporte quem faz mesmo a diferença é todo um conjunto, inclusive humano.



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